domingo, 15 de abril de 2012

Orientações Iniciais - Psicoterapia

           Seja bem vindo (a). Desejo que aproveite da melhor maneira a sua psicoterapia. Para fins de esclarecimento, é importante ressaltar alguns pontos básicos para um bom andamento do processo psicoterápico.

O que é e de que forma acontece a psicoterapia afinal?
       A psicoterapia é um processo de relação e de exploração do funcionamento psicológico do indivíduo/paciente com o auxílio do psicólogo/terapeuta, que faz uso de métodos, técnicas  e intervenções psicológicas diversas para o alcance de objetivos específicos, de acordo com a demanda de cada cliente. Este processo (que se configura no encontro cliente X terapeuta) possibilita o desenvolvimento de autoconhecimento, de conscientização de fatores que influenciam os acontecimentos na história pessoal, e dos padrões de funcionamento interpessoal.
    Diferentemente do tratamento médico, o cliente/paciente não deve deixar-se tratar, do contrário, espera-se que colabore e participe ativamente no seu processo.  Parte importante do trabalho é o cliente comprometer-se consigo mesmo, inclusive entre as sessões, refletindo e testando no cotidiano aquilo que for trabalhado nas sessões. Para estimular e promover esta atividade, o terapeuta muitas vezes pode prescrever “tarefas de casa”. Neste sentido, por que deve haver regularidade de sessões?
• É um tratamento que ocorre em ambiente clínico em sessões/consultas de 50 minutos (normalmente 1 x por semana).

Porque não faltar?
    A psicoterapia é essencialmente um processo em que os encontros, as conversas e as intervenções (inclusive a hipnose e induções de transe quando necessário) formam uma sequência em que os temas relacionados são abordados progressivamente. É por esta razão que normalmente os intervalos entre as sessões, não deverão ser superiores há uma semana; caso contrário, perde-se o sentido deste processo e leva-se muito tempo para retomar o tema. É como se houvesse uma quebra, prejudicando o tratamento e evolução da terapia.

E se faltar à sessão de psicoterapia?
      Como já ressaltado, além dos prejuízos  para o cliente e no andamento da terapia, existem também prejuízos para o terapeuta. Vejamos: a agenda do psicólogo é organizada de modo a reservar horários fixos para cada cliente. Além de gerar um tempo ocioso para o profissional, quando o cliente falta, acarreta também um prejuízo financeiro para o terapeuta. No horário ocioso poderia estar ocorrendo uma reposição ou um novo atendimento. Este é um assunto polêmico das psicoterapias, mas é obrigatório o pagamento das sessões que não são desmarcadas com antecedência.
   Só situações de absoluta força maior (p.e. acidente de carro) podem constituir uma exceção. Outras situações evocadas para justificar uma falta, como por exemplo, “o trânsito”, “um esquecimento”, engano de hora/ou dia, trabalho de última hora ou mesmo doença, não são aceitáveis (a não ser com aviso de 24 horas!). Há duas razões para esta regra: a primeira é uma responsabilização máxima do cliente em assegurar e proteger a sua hora de terapia, e a segunda é a proteção do terapeuta: o número de horas que um terapeuta humanamente pode exercer é limitado, e as 24 horas permitem a marcação de um outro cliente sem prejuízos para o terapeuta e com benefícios para outra pessoa.
     Admite-se que  ocasionalmente isto pode levar a uma situação injusta para o cliente que de fato não consegue mesmo avisar 24 horas antes, mas julga-se que as vantagens se sobrepõem a esta desvantagem.

E se o terapeuta faltar?
    Excepcionalmente, se o terapeuta não puder atendê-lo, será negociado um novo dia e horário para reposição, (dentro das possibilidades do paciente e do psicólogo) para que não haja prejuízo no tratamento.

Sobre a pontualidade
      A pontualidade é muito importante. O atraso do cliente é sempre prejudicial ao andamento da terapia. Assim, não é previsto prorrogações do tempo da sessão, quando o atraso é do cliente, em respeito aos horários dos demais clientes. Por esta razão, mesmo se estiver sendo tratado um assunto especial, a sessão deverá ser encerrada. Pelos mesmos motivos, se eventualmente houver algum atraso por parte do terapeuta (que comunicará por ligação ou mensagem SMS em respeito ao paciente), a reposição deste tempo será negociada para sessões seguintes.

Sobre o pagamento das sessões
      Sobre o pagamento das sessões, os valores serão previamente acertados entre o psicólogo e o paciente. O paciente deverá pagar/acertar por cada sessão individualmente, ou como uma “mensalidade”, na primeira semana do mês, todas as sessões subsequentes daquele mês.

Quando acaba a psicoterapia?
           Esta é uma pergunta muito comum, muito complexa e simples ao mesmo tempo. Como cada caso é único, e cada pessoa tem um ritmo e uma maneira particular de lidar com suas próprias emoções, é difícil prever o tempo de duração de uma psicoterapia. Um dos fatores que determinarão o progresso e o tempo da terapia é o comprometimento do cliente com  o próprio processo psicoterápico. Não existe a possibilidade de prever exatamente quando o paciente receberá alta, até mesmo porque cada caso possui um ritmo individual.  
É importante ressaltar que a idéia básica do processo terapêutico é a de que o paciente aprenda a lidar com suas próprias questões, tornando-se autônomo e independente do terapeuta, consciente de seu crescimento e de sua dinâmica interna; e ser capaz de lidar saudavelmente com possíveis dificuldades que naturalmente possam surgir ao longo de sua vida.

Quaisquer dúvidas quanto às orientações, poderão ser tratadas diretamente com a sua terapeuta.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ludoterapia


Ludoterapia é uma técnica terapêutica de abordagem infantil, uma excelente ferramenta que por meio da brincadeira, do jogo e da imaginação possibilita que a criança no simples ato de brincar, comunique-se, expresse seus sentimentos.
 Diferentemente dos adultos, os pequenos ainda não possuem maturidade na comunicação verbal, e desta forma, a brincadeira torna-se naturalmente um meio de auto-expressão da criança. Em outras palavras, a brincadeira e o fantasiar podem ser considerados a linguagem simbólica da criança.
No contexto terapêutico, o psicoterapeuta infantil apropria-se desta realidade natural e familiar para criança, e ao propor atividades lúdicas, jogos, representações e brincadeiras, cria um ambiente favorável para a expressão de tristeza, tensão, frustração, raiva, medo, insegurança, agressividade, confusão, ou seja, sentimentos que a criança na maioria das vezes ainda não consegue identificar ou nomear.
Por meio da expressão lúdica podem ser trabalhados diversos temas, tais como perdas, morte, insegurança, medos, ciúmes, dentre tantos outros; e o que irá determinar é a demanda individual de cada criança, de cada cena, cada história. Pode-se dizer que o objetivo principal da Ludoterapia é ajudar a criança a expressar com maior facilidade, e de maneira simbólica, seus conflitos e dificuldades.

Por Giselle Magalhães
“É possível descobrir mais de uma pessoa em uma hora de brincadeira do que um ano de conversa” (Platão)

A Criança e a Timidez


        A timidez também se aprende, ela não nasce como parte integrante do ser. A criança tímida aprendeu a ser assim. Trata-se de mais um comportamento pré-fabricado, dentre tantos que existem para rotular os indivíduos, lhes dar identidade. A timidez também se torna um identificador de indivíduos, é a mesma coisa que outros rótulos, tais como, medroso, ou corajoso, culto, popular, extrovertido, etc. 

        Um indivíduo corajoso, apenas repete os gestos superficiais, alegóricos, que caracterizam aquilo que chamamos de coragem. Assim coragem, ou demonstração de bravura, são simples roteiros que se seguidos à risca, tornam qualquer um medroso, ou corajoso, ou bondoso, não significando, entretanto, que internamente, dentro de si, aquele indivíduo seja qualquer uma dessas coisas.
        Se, para se fazer um bolo basta seguir um receituário, para ser medroso ou corajoso, vale a mesma regra. É como um ator a representar seu papel teatral daquele dia. Representando, fingindo, ele é capaz de se tornar corajoso, ou extrovertido, ou covarde. Ele pode se tornar qualquer personagem, sem, no entanto, ser nenhum deles de fato.
      Para entender a timidez, precisamos entender como se sente alguém tímido, que fatores externos e depois internos, o levaram a interpretar, na vida real, esse papel ingrato. Mais importante, no entanto, é compreendermos porque existe este tipo de comportamento, esse modelo de personalidade, que faz parte de um indivíduo, que às vezes o domina, que o controla e dirige a sua vida, aparentemente, à revelia da sua vontade.
      Sabemos como nasce alguém tímido. Eles são criados a partir das comparações com outrem. Afinal de contas, um tímido é alguém que sempre está em desvantagem, seja em relação a um, seja em relação a muitos. Ele se compara, não porque o deseje, mas porque já foi comparado antes, e logo se sente inferior, é um sentimento de inferioridade, de incapacidade. Logo sua auto-estima é baixa.
        Criamos o tímido quando louvamos qualidades nos filhos alheios, ou dos seus colegas, ou dos seus irmãos, deixando claro que estas, a nossa criança, aquela que é comparada, não possui. Um padrão de beleza que todos desejam ter, que passa a valer como ingresso de aceitação social, como um salvo conduto para merecer a atenção de um grupo, como um ingresso para fazer parte desse grupo, cria ou acentua a sensação de insegurança, própria do tímido.
        Por isso trabalho em grupo é tão importante, sendo essencial, no entanto, que educadores e pais, criem na turma a ideia de igualdade. Isso se consegue na delegação adequada das tarefas, onde, ninguém deverá receber méritos diferenciados, ou ser elogiado por alguma particularidade. Deve-se elogiar sim, não um autor, mas a qualidade do trabalho, destacando-se as qualidades de cada um, sem classificar como menos ou mais, mas como igualmente importantes quando postas em conjunto, como resultado final.

      Compreender a timidez, isto é, seu plano de atuação na formação da psique da criança ou jovem, liberta o adulto inseguro, frustrado, violento e insatisfeito que seria seu futuro. Não podemos menosprezar a sensação de insegurança, que é quase uma regra entre os mais novos, assim como não podemos menosprezar, o medo que tenham, por exemplo, de falar em público. Isso apenas aumenta sua frustração e sensação de pequenez, que por si mesmo já é grande, não precisando, portanto, de alguém para lhes lembrar daquilo que já sabem ser. 
        Restaurar a segurança, ou confiança perdida, de uma criança ou jovem, primeiro começa pela compreensão, da parte do educador, de que aquele sentimento merece atenção e consideração. E apenas assim, ao ganhar o respeito do educador que se mostra solidário consigo, ela se mostrará disposta a ouvir seus conselhos. 
        Compreender então as diferenças, respeitá-las assim como o são, deve ser o primeiro passo do educador que deseja ajudar. Mas só poderá ajudar se o outro o permitir, e este só lhe dará acesso, se confiar em suas intenções. Isso se comprova pelo comportamento, palavras e ações, e nunca com discursos, por mais floridos que possam parecer. O tímido é mais observador que os demais, está sempre atento, até como meio de se proteger dos ataques que sempre acham virão de fora. 
        E finalmente, não se cura a timidez com as comparações, isso apenas tende a agravar o quadro. Comparar um tímido a alguém de comportamento não retraído, é o mesmo que fazê-lo sentir-se culpado pelo fato de ser inseguro, quando na verdade ele o aprendeu a ser. Aprendeu de forma involuntária, à revelia de sua vontade, do seu consentimento, sem direito à escolha. Lembre-se sempre de que, nós também aprendemos todos os nossos desejos e manias, medos e vaidades, sejam desagradáveis ou não, sem o nosso consentimento, se depois os rejeitamos ou aprovamos, isso é outra história.

Texto de Jon Talber / Ester de Cartago[1]


[1] Jon Talber é pedagogo e escritor de temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e antropologia. Torna-se mais um colaborador eventual do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu.
Ester Cartago é psico-orientadora em educação infantil e fundamental. Pesquisadora em antropologia social e fobias, também escritora de contos infantis, e colaboradora eventual do Site de Dicas.